Aos jogadores do Benfica: Sigam o exemplo do César Brito!

Jogar no campo de um clube assumidamente corrupto é sempre difícil. Desde que certos poderes com modelos inspirados na Sícilia se instalaram nessa instituição em 1978,  tem sido quase impossível o Benfica ganhar no campo da colectividade mais representativa da principal cidade do norte do nosso país.

Porém, em 1991 , numa bela tarde de Abril, César Brito, contra tudo e contra todos contrariou essa tendência. Para mim é muito especial falar no César Brito. Foi até aos dias de hoje  o único jogador nascido na Beira Baixa que foi Internacional A e a sua magnifíca prestação nessa tarde emotiva  é para mim  inesquecível.
Deixo-vos um texto escrito por mim há cerca de 2 anos, que foi publicado no blog “Cromo dos Cromos”  e que mostra todo o apreço que tenho pelo César Brito:

28 de Abril de 1991, 34ª Jornada do Campeonato Nacional da 1ªDivisão, época 90/91. Nessa tarde, as equipas do FC Porto e do SL Benfica disputavam o 1º lugar: o Benfica estava em 1º lugar com 1 ponto de vantagem sobre o FC Porto. As expectativas para este jogo estavam elevadas ao máximo, visto que, quatro dias antes, no mesmo palco, em jogo a contar para a Taça de Portugal, o Porto tinha levado de vencida o Benfica por 2-1.
O clima era claramente intimidante para o Benfica, desde as suspeições que recaíram no árbitro da partida, Carlos Valente (diziam os dirigentes do Porto que Carlos Valente tinha viajado no mesmo comboio com a comitiva do Benfica até à cidade do Porto), passando pelo cheiro nauseabundo com que os jogadores do Benfica se confrontaram nos balneários das Antas (obrigando-os a equipar nos corredores entre o túnel de acesso ao relvado e os balneários), o apedrejamento do autocarro onde seguia a comitiva benfiquista e, por último, o aparecimento em cena de uma figura do bas-fond do futebol português, o Guarda Abel que, supostamente, fez ameaças várias antes do jogo à equipa do Benfica.
Foi perante esta mistura explosiva que o jogo começou. Foi um jogo bastante “rasgadinho”, até que, aos 81 minutos de jogo, Sven-Goran Eriksson manda César Brito “saltar” do banco para o terreno de jogo. Nesse mesmo minuto César Brito, com um cabeceamento “fulminante”, marca o seu 1º golo no jogo e também para o Benfica; 4 minutos depois, César Brito “mata” o jogo e também as aspirações do Porto com o seu 2º golo.
Foi o jogo que decidiu o Campeonato e o dia de Glória do “Imperador Beirão”, César Brito.
Aos jogadores do Benfica:
Espero que hoje vençam o jogo e honrem a sagrada camisola encarnada que trazem vestida. Tal como em 1991.
Força BENFICA!

Reflexões de um Albicastrense com o tempo dividido entre estas duas cidades